Os pores-do-sol pitorescos, as pontes históricas e a rica gastronomia transformaram há muito tempo o Porto num destino onde o romance se cruza com a lenda. Alguns recantos, tal como em muitas cidades europeias, tornaram-se sinónimo de promessas de amor eterno, hoje reconhecíveis pela sua coleção de cadeados. No entanto, há quem acredite que os apaixonados que lá viajam são acompanhados por uma separação sentimental ao regressarem.
A seguir, contamos-lhe a origem destas tradições que se tornaram tão populares nos últimos tempos:
Histórias de amor sobre a ponte mais icónica do Porto
A emblemática Ponte Dom Luís I é testemunha de inúmeros romances que se vivem nesta cidade portuguesa de 230 000 habitantes. As suas grades exibem centenas de cadeados com iniciais e datas gravadas.
Esta tradição, com a qual se promete amor eterno, perdura em todo o mundo. O seu auge surgiu após a publicação do romance «Tengo ganas de ti», de Federico Moccia. Os protagonistas criados pelo escritor italiano selam o seu amor com esse gesto numa ponte romana e, em seguida, atiram a chave ao rio Tibre.
Os efeitos secundários de se deixar levar pelo que é proposto na ficção dependem de cada casal, mas para o património são evidentes. O Porto retira periodicamente os cadeados para evitar danos estruturais nesta construção do século XIX. Outras cidades, como Florença (Itália) ou Canberra (Austrália), são ainda mais restritivas e proibiram-no completamente.
A «maldição» da separação
A origem desta crença é desconhecida, embora tenha ganho força graças às redes sociais. Muitos viajantes afirmam que a sua relação terminou após regressarem de uma escapadela a Porto, mas há vários fatores que influenciam essa perceção.
Os psicólogos salientam que as viagens são uma fórmula muito frequente entre os casais que procuram reavivar os laços afetivos e desligar-se da rotina. No entanto, a convivência intensa que se verifica nesses dias de turismo também leva ao surgimento de desentendimentos ou ao ressurgimento de problemas que até então permaneciam em segundo plano. Neste sentido, não é de admirar que, se após o regresso se verificar uma separação, o cérebro associe o fim da relação com essa última viagem a Portugal como principal fator desencadeante.
Essa sensação é mais comum na Galiza. A sua proximidade geográfica faz com que o Porto seja frequentemente o primeiro destino romântico nos namoros da região, o que aumenta a probabilidade de associar a escapadela ao país vizinho a mudanças na relação.
Esta suposta «maldição» não se limita ao norte de Portugal: Paris, Veneza ou Bali (Indonésia) são perseguidas pela mesma fama. A idealização da viagem, os imprevistos que possam surgir e as diferenças culturais são outros dos fatores desencadeantes.